Guia
Revisão espaçada: o guia prático, com os intervalos
Revisão espaçada é rever um assunto em intervalos que aumentam com o tempo, em vez de reler tudo na véspera da prova. Aqui estão os intervalos, como encaixar isso na rotina de cursinho e o que fazer quando a fila atrasa.
Resposta curta
Revise cada assunto 1, 3, 7, 16, 35 e 70 dias depois da aula. Cada volta custa poucos minutos e empurra o esquecimento para mais longe que a anterior.
O que é revisão espaçada
Você assiste à aula de termoquímica na segunda. Na terça já perdeu parte do conteúdo e, duas semanas depois, sobra o nome da matéria e a impressão de que entalpia tinha um sinal negativo em algum lugar. A curva do esquecimento descreve essa queda. A revisão espaçada trabalha contra ela: você volta ao assunto em pontos marcados do tempo, sempre um pouco antes de esquecer de vez.
Hermann Ebbinghaus mediu essa queda em 1885. Ele decorou listas de sílabas sem sentido, se testou ao longo de dias e anotou quanto tempo precisava para reaprender cada lista. A perda era rápida nas primeiras horas e ia ficando mais lenta. Em 2006, Cepeda e colegas juntaram centenas de experimentos sobre o mesmo tema e chegaram ao mesmo lugar: o mesmo tempo total de estudo rende mais quando é distribuído por vários dias do que quando é gasto de uma vez.
Três horas seguidas de genética num sábado e seis blocos de meia hora espalhados por dois meses custam a mesma fatia do seu dia. No sábado você termina com a sensação de ter dominado o assunto, porque acabou de ler tudo. Em novembro, quem ainda lembra é o segundo formato.
O que faz a diferença é o esforço de lembrar. Na revisão do dia seguinte o conteúdo ainda está na ponta da língua e puxar não custa nada. Uma semana depois, você precisa procurar. Essa procura é o que fixa. Por isso o intervalo cresce em vez de ficar parado: cada volta deixa a lembrança um pouco mais difícil de puxar e um pouco mais firme depois de puxada.
A queda também não é igual para todo conteúdo. Uma fórmula que você usa em exercício quase todo dia se sustenta sozinha, enquanto a data de um tratado visto uma vez em aula some em uma semana. Na dúvida, registre. Um assunto que volta e você mata em dois minutos custou dois minutos; um assunto que você não registrou some sem avisar e reaparece na correção do simulado.
Duas confusões aparecem sempre. A primeira é achar que revisão espaçada substitui aula e exercício, quando ela só organiza quando você volta ao assunto. A segunda é achar que a técnica só vale para decoreba. Ela funciona igual em conteúdo de raciocínio, desde que a revisão seja resolver questão em vez de olhar o resumo.
Os intervalos
Não existe tabela única. A sequência que o Revisaflow usa por padrão dobra o intervalo a cada revisão feita.
Na prática, com uma aula na segunda, 2 de março: a primeira revisão cai no dia 3, a segunda no dia 5, a terceira no dia 9, a quarta no dia 18, a quinta em 6 de abril e a sexta em 11 de maio. Os dias contam a partir da aula, não da revisão anterior.
Repare onde está o peso. Das seis revisões, três acontecem na primeira semana. Depois disso o assunto volta uma vez por mês e sai do caminho. Quem larga a técnica larga quase sempre nessa parte inicial, quando cada aula nova chega acompanhada de três revisões antigas.
As datas não são sagradas. Se você errar muito numa revisão, volte um passo em vez de seguir para o próximo intervalo, porque o assunto ainda não aguenta ficar dois meses parado. Se ele sair fácil duas vezes seguidas, pule para o intervalo seguinte e economize o tempo.
Outros esquemas usam números diferentes. Você provavelmente já ouviu alguém no cursinho falar em revisar 24 horas, 7 dias e 30 dias depois da aula. O número exato importa menos que o crescimento: 1, 4, 10, 20, 40 e 80 dias daria quase o mesmo resultado. O que não funciona é intervalo fixo, do tipo revisar tudo toda sexta. Em um mês a sexta vira quatro horas de fila e você para.
Vale fazer uma conta antes de começar. Se você registra quatro aulas por dia, na terceira semana a fila diária fica em torno de uma dúzia de revisões. Cada uma leva de dois a cinco minutos quando é feita de caderno fechado, o que fecha em uns 40 minutos. Se a sua conta der duas horas, ou você está registrando assunto demais, ou está relendo em vez de revisando.
Como aplicar no cursinho
O jeito mais rápido de abandonar a técnica é tentar aplicar de uma vez em tudo que você já viu no ano. Comece pelas aulas de hoje em diante e deixe o conteúdo antigo para os simulados.
- Registre a aula no mesmo dia, enquanto o nome do assunto ainda está fresco. Anote o tópico, não a matéria: "termoquímica: entalpia de formação" funciona, "química" não.
- Reserve de 20 a 30 minutos fixos por dia só para o que voltou. Esse tempo não é de conteúdo novo e precisa caber na sua grade real, com deslocamento e cansaço incluídos.
- Revise de caderno fechado: tente lembrar antes de olhar. Reler dá a sensação de saber sem o resultado.
- Se atrasar, comece pelas revisões mais antigas e deixe o resto para o dia seguinte. Zerar a fila de uma vez não funciona.
O passo 3 é o que separa quem melhora de quem só cumpre tabela. Revisar de caderno fechado quer dizer ler o título do tópico, fechar tudo e escrever numa folha o que você lembra. Depois abra o caderno e compare. O que ficou de fora da folha é exatamente o que precisava de revisão, e você descobriu isso em cinco minutos, não na prova.
Em exatas o formato muda: troque a folha em branco por dois exercícios do assunto, de preferência os que você errou da primeira vez. Refazer uma equação do segundo grau com parâmetro mostra em um minuto se você ainda lembra de checar o delta. Em história, a revisão pode ser reconstruir a linha do tempo de cabeça; em biologia, desenhar o ciclo sem consultar. O intervalo é o mesmo em todas as matérias, o que muda é o que você faz dentro dele.
Simulado entra na conta como fonte de tópicos, não como revisão. Depois de corrigir a prova, registre os assuntos das questões que você errou e deixe a curva cuidar deles. As que você acertou por eliminação também valem registro, porque acertar chutando não conta como saber. Isso costuma render de cinco a dez tópicos novos por simulado, o que é bem menos do que refazer a prova inteira na semana seguinte.
Atraso vai acontecer. Você fica doente, viaja, passa um fim de semana inteiro num simulado e volta com 40 revisões na fila. Não tente zerar. Faça as mais antigas primeiro, que são as que estão mais perto de sumir, e aceite dois ou três dias de fila grande até normalizar. O atraso empurra a data da próxima revisão, ele não apaga o que você já fixou.
Na semana de uma prova grande, pare de registrar assunto novo e use a fila como roteiro do que estudar. Ela já está ordenada pelo que você tem mais chance de esquecer.
Leia também
Curva do esquecimento: o que é e como usar Cronograma de revisão para o ENEM: como montar Revisão ativa: como revisar de caderno fechado Técnicas de estudo que funcionam (e as que não)Perguntas frequentes
Quantas vezes preciso revisar o mesmo assunto?
Seis passagens costumam segurar o conteúdo até a prova. Depois da sexta, o intervalo já passa de dois meses.
Revisão espaçada serve para exatas?
Serve, com uma diferença: em matemática e física a revisão é refazer exercícios do assunto, não reler a teoria.
E se eu atrasar uma semana inteira?
Faça as revisões mais antigas primeiro. O atraso empurra a data, não apaga o registro.
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