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Curva do esquecimento: o que é e como usar
A curva do esquecimento é o desenho de quanto você perde de um conteúdo conforme os dias passam. Ela despenca nas primeiras horas e vai ficando mais lenta. Aqui está o que Ebbinghaus mediu em 1885, o que a curva não diz, e como transformar esse desenho em datas no seu calendário.
Resposta curta
Você perde a maior parte do que estudou nas primeiras horas depois da aula, e a partir daí a perda desacelera. Voltar ao assunto antes da queda grande custa poucos minutos. Reaprender do zero custa a aula inteira de novo.
O que é a curva do esquecimento
Na sexta você fecha o caderno de citologia sabendo separar mitose de meiose. Na segunda, na questão do simulado, sobra "uma tem duas divisões" e a certeza de que aquilo era importante. Isso não é falta de estudo. É o formato normal da perda quando você vê um assunto uma vez só.
A curva do esquecimento é esse formato desenhado num gráfico. No eixo horizontal, o tempo desde a aula. No vertical, quanto do conteúdo ainda responde quando você chama. O traço cai de um jeito nas primeiras horas e de outro depois do primeiro dia: no começo despenca, mais para frente fica quase deitado. O que sobreviveu a dois dias já passou pela parte mais dura da queda e tende a ficar mais um tempo.
Duas coisas se confundem aqui. Uma é o conteúdo ter sumido da sua cabeça. A outra é você não estar conseguindo chegar até ele naquele momento. Na maior parte das vezes é a segunda, e é por isso que um enunciado bem escrito faz você lembrar de um assunto que jurava ter esquecido. O material continuava lá, faltava a porta de entrada. Cada revisão abre mais uma porta para o mesmo lugar.
A altura em que a curva começa e a profundidade da queda mudam de assunto para assunto. Conteúdo novo que encaixa em algo que você já sabia cai mais devagar, porque não está solto. Uma lista de dez datas some mais rápido que uma cadeia de causa e efeito que você entendeu de verdade. E o que você fez na hora da aula muda o ponto de partida: resolver questão deixa um rastro diferente de passar marca texto na apostila. O que se repete em todos os casos é o desenho, com a perda concentrada no início.
O sono entra na conta também. Boa parte da consolidação do que você estudou acontece enquanto você dorme. Virar a noite na véspera do simulado ataca as duas pontas do problema ao mesmo tempo: você estuda cansado e ainda tira do sono a chance de guardar o que estudou. Uma noite ruim de terça também estraga a revisão que você fez na segunda.
Há uma coisa que a curva não faz, e é bom saber disso antes de tentar usá-la. Ela não é um cronômetro que dispara na sua cabeça e avisa que amanhã você vai esquecer termoquímica. Ela é uma média tirada de laboratório, com material decorado justamente para ser testado depois. Serve para decidir quando vale a pena voltar num assunto, não para prever o que você vai lembrar na quinta às dez da manhã.
O experimento de Ebbinghaus
Hermann Ebbinghaus publicou o experimento em 1885 e foi o único participante dele. O primeiro problema que precisou resolver era de método: qualquer palavra de verdade já vem com associação colada. Se você decora "revolução", metade do trabalho estava feita antes de você começar, e o que ele mediria seria a sua vida inteira de leituras, não a memória daquela lista. A saída foram as sílabas sem sentido, do tipo consoante, vogal, consoante: ZOF, QAJ, WID. Ele montava listas dessas sílabas, repetia até recitar tudo sem erro, e deixava o tempo passar.
A parte mais esperta é como ele mediu o que sobrava. Perguntar "quanto você acha que lembra" não serve, porque a resposta é um chute. Então ele reaprendia a mesma lista e contava as repetições. Digamos que decorar do zero tenha custado vinte repetições e reaprender custe doze: a diferença é o que a memória antiga poupou. Essa economia é o número que aparece no eixo vertical da curva, e repare que ela mede trabalho, não sensação.
As esperas que ele testou foram estas, e a distância entre elas já conta metade da história:
Vinte minutos depois de decorar, a economia já tinha caído para pouco mais da metade. Um dia depois, para cerca de um terço. Um mês depois ainda sobrava alguma coisa, por volta de um quinto do trabalho poupado, e dali para frente a queda era pequena. Repare no desequilíbrio: as primeiras horas levaram mais do que o mês inteiro.
Vale saber onde esse experimento não alcança. Foi uma pessoa só, testando a si mesma, com sílabas que não significam nada e sem nenhuma revisão entre decorar e testar. Você não estuda ZOF e QAJ, você estuda hidrostática, e dificilmente passa 31 dias sem esbarrar no assunto de novo, nem que seja numa questão de simulado. Então não leve os percentuais para o seu caderno. O que se transporta é a forma da queda e a conclusão prática que vem dela: o momento em que você volta ao conteúdo muda quanto custa voltar.
O próprio Ebbinghaus também comparou repetir tudo numa sessão contra espalhar as repetições por dias diferentes, e o segundo formato rendeu mais. Em 2006, Cepeda e colegas juntaram centenas de experimentos posteriores sobre o mesmo assunto e chegaram ao mesmo lugar.
Como virar datas de revisão
A curva não te diz o que fazer. Ela mostra onde a perda é mais rápida, e é aí que cada minuto de revisão rende mais. Passar isso para o calendário dá quatro passos.
- Anote a data da aula junto com o tópico. Todas as contas saem dela, não da revisão anterior. E "cinemática: lançamento oblíquo" é um tópico; "física" não é.
- Marque a primeira volta para o dia seguinte, enquanto ainda está barato lembrar. É a revisão que mais economiza tempo e a que mais gente pula.
- Aumente a distância a cada volta que sair bem: depois do dia seguinte, três dias; depois, uma semana; e assim por diante, sempre contando da data da aula.
- Deixe o resultado mandar na próxima data. Saiu travado, encurte o intervalo. Saiu fácil duas vezes seguidas, alongue.
O passo 2 é onde está a maior parte do ganho. No dia seguinte o conteúdo ainda está perto e puxar custa pouco. Uma semana depois você precisa cavar. Duas semanas depois, muitas vezes já não é revisão, é aula de novo, e o custo dobra. Cinco minutos na terça valem meia hora no mês que vem.
No passo 3, a lógica é a mesma do gráfico. Cada volta bem feita achata a queda seguinte, então manter sempre o mesmo intervalo desperdiça tempo: você revisa o que já estava firme na mesma frequência do que estava caindo. Os intervalos que o Revisaflow usa por padrão, com os dias exatos e um exemplo de calendário montado a partir de uma aula, estão no guia de revisão espaçada.
Um detalhe atrapalha os quatro passos mais que qualquer erro de data: a releitura. Você abre o caderno, passa os olhos, e o texto parece familiar. Essa familiaridade se disfarça bem de conhecimento e some na hora da prova. O jeito de furar o disfarce é fechar o caderno antes. Leia só o nome do tópico, escreva numa folha o que vier, e confira depois. O que ficou de fora da folha é a sua lista de revisão de verdade, e você descobriu isso num intervalo de aula em vez de na correção do simulado.
Quando a fila atrasar, e ela vai atrasar em alguma semana de simulado, comece pelos tópicos mais antigos. São os que estão mais fundo na queda e os que ficam mais caros a cada dia parado. Os de ontem podem esperar até amanhã sem grande prejuízo.
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A curva do esquecimento é igual para todo mundo?
Ela varia com o conteúdo e com o quanto você já sabia do assunto. O formato da queda é que se repete.
Quanto tempo depois da aula devo fazer a primeira revisão?
No dia seguinte, enquanto o custo de recuperar ainda é baixo.
Dormir bem muda alguma coisa?
Muda: a consolidação acontece durante o sono, e uma noite mal dormida derruba a revisão do dia seguinte.
O Revisaflow marca essas datas por você
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